O corpo
Ela se senta no sofá. Exausta. O corpo todo lhe dói. Um lhe puxa por uma perna, outra pelo braço, outro pela cabeça. Todos querem a posse deste corpo. Todos querem ter preenchidas suas (deles) necessidades. Nem que para isso seja preciso utilizar todo o arsenal terrorista.
O telefone toca. É sua irmã.
- Querida, não se desespere... Faça algo por você! Um preenchimento, talvez Botox... Você vai se sentir muito melhor!
Ela fecha os olhos e vê a irmã. Devastada, a irmã.
Conversa de surdos.
Marta lê para mim o email que mandou para o marido. Páginas e páginas. Conta suas descobertas, o quanto tem cuidado de si, seus passeios pela cidade da juventude, antes de casar, o novo trabalho no qual tanto tem se empenhado. A mudança para o outro extremo do país acompanhando os filhos lhe fez bem (solução encontrada para escapar daquilo ). Ela, porém, ainda o ama e o quer.
Vejo um passarinho se debatendo na gaiola.
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