Das enormes janelas entra uma brisa marinha. Lá do alto vê-se a praia e o mar infinito, azul. Olhando lá embaixo o desenho da calçada de Copacabana, vê-se os papagaios coloridos enfeitando a areia a espera da criança que vai empiná-los no final da tarde. O vento constante trás a luz do meio-dia, invade toda a sala de tetos altos e antigos móveis vindos de muito longe.
Domingo, hora do almoço. A porta de entrada bate com estrondo. Sinal da chegada do padrinho. Toda a família reunida espera. A avó, senhora italiana ereta em seu vestido de seda preto de pois branco, colar de pérolas, unhas perfeitamente manicuradas em tons pastéis. O tio e o padrinho, sérios, compenetrados, em suas camisas de linho bem passadas. O pai, menos sério, menos compenetrado mas vestido do mesmo modo. É mais jovem e bonito. Uma pequena mecha de cabelo insiste em cair displicente na sua testa. Por último a menina, 5 anos, vestido rodado de domingo, cabelo curto “joãozinho”, sapatinhos de boneca, olha enfeitiçada os passarinhos Lalique pousados na mesa em frente ao sofá. Falam italiano. Comenta-se a missa, o sermão do padre, algo sobre a política na Itália. A lembrança da guerra na velha Europa ainda paira nas vozes de todos, como um fantasma. Novidades da família que voltou.
Soa uma hora no relógio da sala. Todos se levantam e sentam-se à mesa. D. Maria Portuguesa, alvíssima senhora em seu uniforme engomado, começa o serviço à francesa.
A menina sabe que deve só ouvir, comer tudo em silêncio sem se sujar. Olha o pai pelo canto do olho procurando imitá-lo. Lá pelo meio do almoço o padrinho volta-se para a menina que enrubesse. Pergunta:
- O que é o que é. É bonitinho, risca o vidro e chora?
A menina embaraçada não sabe a resposta. Todos riem e continuam a conversa anterior.
O almoço termina. Todos se levantam e se recolhem, cada um a seu quarto. A avó munida de uma lata de biscoitos sortidos diz em português:
- Pegue um biscoito, minha filha.
- Obrigada, vovó.
Sai, ela também.
A sala é sua! Com o cuidado de uma visita de cerimônia, brinca com os passarinhos Lalique, preciosos! É preciso deixá-los como os encontrou...
Liga a televisão, e, sentada toda enroscadinha na cadeira trono que seu avô trouxe da Itália, pode finalmente ver seu teatrinho Trol. Sozinha é melhor!
Domingo, hora do almoço. A porta de entrada bate com estrondo. Sinal da chegada do padrinho. Toda a família reunida espera. A avó, senhora italiana ereta em seu vestido de seda preto de pois branco, colar de pérolas, unhas perfeitamente manicuradas em tons pastéis. O tio e o padrinho, sérios, compenetrados, em suas camisas de linho bem passadas. O pai, menos sério, menos compenetrado mas vestido do mesmo modo. É mais jovem e bonito. Uma pequena mecha de cabelo insiste em cair displicente na sua testa. Por último a menina, 5 anos, vestido rodado de domingo, cabelo curto “joãozinho”, sapatinhos de boneca, olha enfeitiçada os passarinhos Lalique pousados na mesa em frente ao sofá. Falam italiano. Comenta-se a missa, o sermão do padre, algo sobre a política na Itália. A lembrança da guerra na velha Europa ainda paira nas vozes de todos, como um fantasma. Novidades da família que voltou.
Soa uma hora no relógio da sala. Todos se levantam e sentam-se à mesa. D. Maria Portuguesa, alvíssima senhora em seu uniforme engomado, começa o serviço à francesa.
A menina sabe que deve só ouvir, comer tudo em silêncio sem se sujar. Olha o pai pelo canto do olho procurando imitá-lo. Lá pelo meio do almoço o padrinho volta-se para a menina que enrubesse. Pergunta:
- O que é o que é. É bonitinho, risca o vidro e chora?
A menina embaraçada não sabe a resposta. Todos riem e continuam a conversa anterior.
O almoço termina. Todos se levantam e se recolhem, cada um a seu quarto. A avó munida de uma lata de biscoitos sortidos diz em português:
- Pegue um biscoito, minha filha.
- Obrigada, vovó.
Sai, ela também.
A sala é sua! Com o cuidado de uma visita de cerimônia, brinca com os passarinhos Lalique, preciosos! É preciso deixá-los como os encontrou...
Liga a televisão, e, sentada toda enroscadinha na cadeira trono que seu avô trouxe da Itália, pode finalmente ver seu teatrinho Trol. Sozinha é melhor!